Guias · Gestão e margem

A empresa cresceu e o dono perdeu o controle: por onde começar

Por Leonardo, KLL Consultoria e Gestão EmpresarialAtualizado em 7 min de leitura

Resposta direta

Comece por enxergar, e não por contratar ou comprar sistema. Meça para onde vai o seu tempo, escolha poucos números para ver toda semana, defina quem decide o quê e até quanto, e documente os processos que param quando você falta. Com isso a rotina passa a andar com os responsáveis, e as decisões grandes ganham dado.

Os sinais

Por que isso acontece

Enquanto a empresa é pequena, o controle vem da presença do dono. Ele vê cada pedido, conhece cada cliente e resolve na hora. Isso funciona, e é por isso que a empresa cresceu.

Com mais clientes, produtos, pessoas e unidades, a presença deixa de alcançar tudo. O que substitui a presença são quatro coisas: números que chegam sem ninguém ir atrás, alçadas que dizem quem decide o quê, processos que não dependem da memória de uma pessoa e uma rotina de acompanhamento. Quando a empresa cresce sem montar essas quatro coisas, o dono passa a ser o gargalo da própria empresa. Não é falta de esforço. É o esforço aplicado no lugar errado.

O que não fazer primeiro

Por onde começar, em sete passos

  1. Anote por duas semanas para onde vai o seu tempo, em blocos de meia hora, e marque o que só você pode fazer.
  2. Escolha de cinco a oito números para ver toda semana. Por exemplo: saldo e projeção de caixa, faturamento e margem, contas a receber vencidas, estoque, pedidos atrasados e reclamações.
  3. Liste as decisões que hoje só você toma e defina alçadas. Até quanto de desconto, de compra e de pagamento cada pessoa decide sozinha, e o que sobe para você.
  4. Documente os três processos que mais param quando você falta, do jeito que acontecem hoje, e treine uma segunda pessoa em cada um.
  5. Crie uma reunião semanal curta com os responsáveis, usando os números do passo 2, com pauta fixa e as decisões registradas.
  6. Separe o dinheiro da empresa do seu. Pró-labore definido e nenhuma despesa pessoal passando pelo caixa da empresa, senão nenhum número do passo 2 fica confiável.
  7. Só então decida sistema, contratação e estrutura, com os números na mão.

Os cinco primeiros passos não exigem investimento em sistema. Exigem agenda do dono e um responsável por cada ponto.

Exemplo ilustrativo

Os números abaixo são hipotéticos, só para mostrar o que o passo 1 costuma revelar.

O dono de uma distribuidora com 40 funcionários registrou a própria agenda por duas semanas. A média foi de 52 horas por semana.

Atividade Horas por semana Quem poderia assumir, e com o quê
Aprovar desconto e prazo de pedido 11 Gerente comercial, com alçada por faixa de margem
Responder dúvida de preço e estoque da equipe 8 O próprio vendedor, com tabela e estoque confiáveis no sistema
Conferir e liberar pagamentos 7 Financeiro, com limite por valor e aprovação acima dele
Resolver reclamação de entrega 6 Logística, com procedimento para cada tipo de ocorrência
Negociar com os maiores clientes e fornecedores 9 O dono
Estratégia, números e pessoas 3 O dono
Outras atividades 8 Varia

Trinta e duas das 52 horas, cerca de 60% da semana, iam para decisões que outra pessoa poderia tomar com uma alçada ou um procedimento. E só três horas iam para o que apenas o dono pode fazer. O problema não era falta de gente, era falta de regra.

Quando se aplica, e quando não

Vale seguir esse caminho se a empresa:

O ponto de partida é outro se:

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O Diagnóstico 360° foi desenhado para o dono que construiu a empresa do zero e sente que perdeu o controle. Ele mostra, com dados, onde a gestão depende de uma pessoa só e entrega o plano para mudar isso, com responsável e prazo. Veja também os guias Diagnóstico empresarial: o que é, como funciona e o que ele entrega e Como calcular a margem real por produto no atacado e na distribuição, e os termos no glossário.

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