Guias · Gestão e margem

Como calcular a margem real por produto no atacado e na distribuição

Por Leonardo, KLL Consultoria e Gestão EmpresarialAtualizado em 8 min de leitura

Resposta direta

A margem real por produto é o que sobra do preço praticado depois de tirar o custo da mercadoria líquido de créditos, os impostos sobre a venda e as despesas que acompanham cada venda: desconto, bonificação, frete, comissão, tarifa e o custo do prazo. É a margem de contribuição do item, calculada com dados de venda, compra, logística e financeiro.

Por que a margem do sistema engana

A maioria dos ERPs mostra a margem como a diferença entre o preço de tabela e o custo de compra. Essa conta deixa de fora quase tudo o que acontece entre o pedido e o dinheiro no caixa:

Com tudo isso fora da conta, dois produtos com a mesma margem no sistema podem deixar resultados muito diferentes. E o item que mais vende costuma ser justamente o que recebe mais desconto, mais prazo e mais verba.

O que entra na conta

Parte da conta O que considerar
Preço praticado O preço da nota, depois de desconto, bonificação e devolução. Nunca o preço de tabela
Impostos sobre a venda ICMS, PIS e COFINS (ou o recolhimento do Simples), conforme o regime da empresa
Custo da mercadoria Custo de compra líquido dos impostos que geram crédito, somando frete da compra e o imposto que não é recuperado, como a substituição tributária paga na entrada
Despesas variáveis Frete de entrega, comissão, tarifas de meio de pagamento e de marketplace, perdas e avarias
Custo do prazo Quanto custa financiar o cliente até o recebimento, pela taxa que a empresa paga para captar ou antecipar
Verbas do fornecedor Bonificação, rebate e verba recebidos do fornecedor, que reduzem o custo e costumam ficar fora da conta

O resultado é a margem de contribuição do item: quanto cada venda deixa para pagar a estrutura da empresa e gerar lucro.

Como calcular, em sete passos

  1. Defina o custo da mercadoria. Use o custo de reposição, ou o custo médio quando a reposição não estiver disponível, sempre líquido dos créditos de impostos e com o frete da compra.
  2. Parta do preço praticado. Tire das notas de saída o preço efetivo de cada item, com desconto, bonificação e devolução.
  3. Tire os impostos sobre a venda pelo regime e pelos estados em que a empresa vende.
  4. Ligue cada despesa variável à venda que a gerou. Frete pelo conhecimento de transporte, comissão pela regra do vendedor, tarifa pelo meio de pagamento.
  5. Ponha preço no prazo. Multiplique o prazo médio de recebimento pela taxa mensal que a empresa paga para financiar o capital de giro.
  6. Calcule a margem por item e depois cruze por cliente e por canal. O mesmo produto pode deixar margem boa no varejo pequeno e margem quase zero na grande rede.
  7. Não rateie o custo fixo por produto. Some as margens de contribuição e compare com o custo da estrutura. Rateio por critério arbitrário faz item bom parecer ruim e esconde o que de fato decide o resultado.

Os dados já existem na empresa, espalhados entre ERP, financeiro, logística e comercial. O trabalho é juntar as quatro fontes numa conta só, com a mesma regra para todos os itens.

Exemplo ilustrativo

Os números abaixo são hipotéticos, só para mostrar o efeito de cada parte da conta. Para simplificar, os impostos sobre a venda estão como 20% do preço praticado, e o prazo custa 1,5% ao mês.

Dois produtos da mesma distribuidora têm preço de tabela de R$ 100 e custo líquido de R$ 60. O sistema mostra margem de 40% nos dois. O produto A vai para grandes redes; o B, para o varejo pequeno.

Conta Produto A Produto B
Desconto sobre a tabela 8% 2%
Preço praticado R$ 92,00 R$ 98,00
Impostos sobre a venda (20%) R$ 18,40 R$ 19,60
Custo da mercadoria R$ 60,00 R$ 60,00
Frete de entrega (A 4%, B 6%) R$ 3,68 R$ 5,88
Comissão (A 1%, B 3%) R$ 0,92 R$ 2,94
Verba comercial para o cliente (A 2%) R$ 1,84 R$ 0,00
Custo do prazo (A 90 dias, B 28 dias) R$ 4,14 R$ 1,37
Margem de contribuição R$ 3,02 (3,3%) R$ 8,21 (8,4%)

O sistema dizia 40% para os dois. Na conta real, o produto B deixa quase três vezes mais por unidade. Isso não quer dizer abandonar o produto A: pelo volume, ele ainda pode pagar boa parte da estrutura. Quer dizer negociar desconto, prazo e frete sabendo quanto custa cada ponto concedido.

Sinais de que a empresa não conhece a margem real

Quando isso se aplica, e quando não

Vale fazer a conta se a empresa:

O ganho tende a ser menor se a empresa:

E a Reforma Tributária?

Com a CBS e o IBS calculados por fora do preço e com crédito mais amplo nas compras, a parte dos impostos na conta de cada item muda a partir de 2027. Quem já calcula a margem real refaz a conta com a regra nova; quem não calcula passa pela troca sem saber o que aconteceu com a margem. Veja o guia Reforma Tributária no atacado e na distribuição.

Onde entra a KLL

A margem real por produto, serviço e cliente é a pergunta central da vertente Finanças do Diagnóstico 360°. O diagnóstico monta essa conta com os dados da empresa, mostra onde a margem se perde e entrega um plano de ação com dono e prazo. Os termos deste guia estão no glossário.

Este guia faz parte da frente Diagnóstico 360°. Os termos técnicos estão no glossário.

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